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A frase que define a sua marca pessoal e que você nunca vai ouvir

Casal elegante de mais de 60 anos sorrindo sob um letreiro luminoso de teatro com as palavras Marca Pessoal, símbolo da marca pessoal depois dos 50

Agora mesmo, em algum lugar, alguém está falando de você. Pode ser um antigo colega, uma cliente ou a vizinha do elevador. A conversa é rápida e quase sempre cabe numa frase só, como “ela é a pessoa que resolve”, “ele nunca deixa ninguém na mão” ou “com ela a gente aprende sem perceber”.

Você provavelmente nunca vai ouvir essa frase, e no entanto ela abre e fecha portas na sua vida com uma eficiência impressionante. Ela tem nome, chama-se marca pessoal, e o mais interessante nela não é o que dizem. É o quanto aquilo que dizem se parece com quem você realmente é.

Marca pessoal é uma casa com duas janelas

A palavra marca nasceu no comércio, para distinguir um produto do outro na prateleira. Quando a ideia chegou às pessoas, muita gente correu direto para a embalagem, a roupa, a foto e o cartão de visita. Só que uma pessoa não é um sabonete, e o que a torna singular está nos seus valores e no jeito como trata quem não pode fazer nada por ela.

Por isso, gosto de pensar a marca pessoal como uma casa com duas janelas. Pela janela de dentro, você se vê, e ali moram a sua identidade e a sua autoimagem. Pela janela de fora, os outros veem você e formam uma imagem a partir do que você diz, faz e deixa de fazer. A marca pessoal mora no encontro dessas duas vistas.

No lado pessoal, essa casa é identidade, a clareza sobre quem somos quando ninguém está nos avaliando. No lado profissional, ela vira reputação, o motivo pelo qual alguém escolhe você entre dez pessoas com o mesmo currículo. Os dois lados não se separam, porque a reputação que se sustenta é sempre filha de uma identidade bem resolvida.

O artigo que virou o meu mapa do tesouro

Cheguei a essa ideia por um caminho que começou longe dela. Durante anos, trabalhei com pequenos e médios empresários e via algo intrigante. Pessoas igualmente batalhadoras e competentes tinham destinos muito diferentes, e a técnica quase nunca explicava a diferença.

Na minha função, acompanhei dois designers gráficos que disputavam a mesma clientela, e os dois eram excelentes no que faziam. Só que um acabou tendo mais clientes, inclusive muitos que eram do outro. Com o tempo, todos passaram a preferir o primeiro, e eu demorei a entender por quê.

A explicação só veio quando mergulhei na obra de Napoleon Hill e me tornei instrutora de liderança pelo método dele. Nas suas 16 leis do êxito, Hill dedica uma lição inteira à personalidade agradável.

O designer que conquistou mais clientes era afável, recebia cada pessoa com interesse genuíno e oferecia dicas e sugestões antes mesmo de o cliente fechar o negócio. O segundo entregava um trabalho igualmente impecável, mas vivia de cara fechada, cobrava muito e quase não conversava com quem o contratava.

Foi com Hill que descobri o quanto a personalidade agradável define a marca pessoal de um profissional, muito mais do que a técnica. Mais tarde, em Pense e Enriqueça, encontrei também a raiz dos meus valores e princípios.

Tempos depois, já como instrutora MasterMind, encontrei o nome para aquilo que eu tinha visto num artigo de Tom Peters, The Brand Called You, a marca chamada Você, publicado em 1997 na revista Fast Company. Ali nasceram o nome e o conceito de marca pessoal, e para mim aquele texto foi um mapa do tesouro. Peters, que continua ativo até hoje, inclusive no X, confirmou o que os dois designers já tinham me mostrado, que dominar a técnica não bastava.

Li dezenas de livros sobre marca pessoal, e o que encontrei parecia uma colcha de retalhos. Faltava ligar todos os pedaços, e sabemos que o autoconhecimento faz esse papel, que é entender que conduzimos a vida a partir de três forças, a instintiva, a emocional e a racional, que precisam estar em equilíbrio. Dali nasceu o meu método, cuja origem conto no livro O Poder da Marca Pessoal Online.

A marca pessoal que ninguém precisa fabricar

Se aprendi uma coisa em dez anos de mentoria, foi que marca pessoal não se fabrica. Toda marca inventada, cedo ou tarde, deixa aparecer a costura. O trabalho verdadeiro é entender como a pessoa funciona e como ela se enxerga e, principalmente, descobrir como os outros a enxergam.

A distância entre essas visões pode ser pequena ou um oceano, e é nesse intervalo que mora o segredo. Por isso digo a quem chega às minhas mentorias que o meu papel é apresentar você a você mesmo. Parece poesia, mas é método.

O patrimônio de quem chega aos 50, 60, 70+

É aqui que quero conversar especialmente com quem tem 50, 60, 70+, um time do qual faço parte com muito gosto. O medo de recomeçar, a impressão de que o crachá levou junto um pedaço de quem você era e a voz baixinha que pergunta se ainda há espaço para você são dores reais. Elas merecem ser ouvidas com respeito.

A boa notícia é que, quanto mais vida, mais material para essa descoberta. Quem tem 25 anos ainda escreve os primeiros capítulos, e quem chegou até aqui já tem um livro inteiro nas mãos, como mostro no texto sobre o patrimônio invisível da experiência.

Pense numa professora que passou trinta anos ensinando matemática a adolescentes que juravam odiar números. Ela se aposenta levando um jeito raro de tornar simples o difícil, que pode virar uma aula on-line, um livro digital ou uma mentoria para pais aflitos. A marca pessoal depois dos 50 não começa do zero, mas de uma coleção de experiências que muitas vezes ainda não foi organizada.

Descubra como os outros enxergam você

Entenda como você chegou até aqui

Pegue um caderno e anote os momentos em que a sua vida mudou de direção, por escolha ou por força das circunstâncias. Depois, procure o fio que atravessa todos eles, um valor que se repete ou um talento que aparece em lugares diferentes. Esse fio é a espinha dorsal da sua marca, e o texto sobre a bússola invisível do autoconhecimento aprofunda o exercício.

Na minha vida, um desses momentos chegou aos 59 anos. Uma amiga voltou de uma reunião com um especialista em marketing digital e me apresentou aquele mundo, e eu gostei tanto do que vi que não parei mais de estudar. Ainda como instrutora de liderança, comecei a falar sobre marca pessoal, ancorada em Napoleon Hill, o primeiro a tratar do tema quando ele ainda nem tinha esse nome, e depois em Tom Peters. Aos 60, me tornei mentora, e sigo nesse caminho até hoje. Olhando para trás, o fio sempre foi o mesmo, ajudar pessoas a descobrirem o valor do que já carregam.

Faça a pergunta das três palavras

Esta é a parte que mais surpreende. Escolha cinco pessoas de confiança, de fases diferentes da sua vida, e pergunte “se você tivesse que me descrever em três palavras, quais seriam?”. Antes de ler as respostas, escreva as suas três e só depois compare.

As coincidências confirmam a sua identidade, e as diferenças revelam o que a janela de dentro ainda não alcançava. Nada disso é para corrigir às pressas, e sim para compreender com calma.

Lembro de um cliente que fez esse exercício com parentes, conhecidos e funcionários. Quando organizou as respostas, ficou surpreso e comovido ao mesmo tempo, porque todos o descreviam como um ótimo líder, calmo e com os pés no chão, e diziam confiar nele justamente por isso. Ele, por sua vez, se via como um nerd introvertido, que precisava de aprovação e não se achava merecedor de sucesso. Naquele dia, a janela de fora mostrou a ele o que a de dentro ainda não conseguia enxergar.

As histórias que contam quem você é

Nesses exercícios, as lembranças voltam sozinhas, e vale guardar todas, porque as nossas histórias são a forma mais viva da marca pessoal. Só que história boa não se encaixa à força. Ela aparece quando a conversa pede, e esse tema merece em breve uma conversa só para ele.

Ainda em 2016, conquistei o meu primeiro mentorado, um jovem que já atuava no digital, como quase todos que atendi desde então. Em poucas conversas, ele entendeu a própria personalidade, o que o impedia de alcançar o sucesso que perseguia havia anos e qual deveria ser o seu posicionamento profissional. Dali em diante, as coisas começaram a funcionar, e hoje, dez anos depois, ele é um nome conhecido do marketing digital.

Na internet, ninguém olha nos seus olhos

Na internet, tudo isso pesa ainda mais. Num encontro presencial, o outro lê em segundos o seu olhar, a sua voz e o seu aperto de mão, mas do outro lado da tela esse atalho desaparece. A pessoa lê um texto, vê uma foto e decide, sozinha, se pode confiar em você.

Por isso, on-line, a conexão nasce da confiança, da credibilidade e da autoridade, que só se sustentam com uma marca pessoal clara e verdadeira por trás. Em 2016, quando comecei a estudar marketing digital, aprendi que, a menos que você venda os produtos de uma loja, você é o seu principal produto, e o digital é apenas o meio.

O próximo capítulo começa com três palavras

Depois de tantos anos ao lado de pessoas em transição ou reinvenção profissional, a minha convicção é firme. A sua marca pessoal já está escrita em cada escolha que você fez, e a partir de hoje você pode conhecê-la com olhos de gerenciamento, de acordo com o seu objetivo e propósito, em vez de deixá-la ao acaso. A vida, na maturidade principalmente, não pede uma versão fabricada de ninguém. Pede coragem para olhar pelas duas janelas ao mesmo tempo e tecer a sua marca.

Comece hoje. Escreva as suas três palavras e mande a pergunta para cinco pessoas queridas, porque o que voltar será o primeiro retrato honesto da sua marca. Depois, conte aqui nos comentários como foi a experiência da descoberta e qual palavra mais apareceu, ou me escreva direto no e-mail [email protected]. Se quiser saber mais sobre a minha trajetória, visite a página Quem Somos.


Referências Citadas

  • PETERS, Tom. The Brand Called You (A marca chamada Você). Fast Company, 31 ago. 1997. Origem do nome e do conceito de marca pessoal. Disponível em: fastcompany.com/28905/brand-called-you.
  • HILL, Napoleon. A Lei do Triunfo: 16 lições práticas para o sucesso. Rio de Janeiro: José Olympio. Edição estudada pela autora, conhecida como as 16 leis do êxito.
  • HILL, Napoleon. O Manuscrito Original: as leis do triunfo e do sucesso de Napoleon Hill. Citadel Editora, 2017. Edição atual da mesma obra (The Law of Success, 1925).
  • HILL, Napoleon. Pense & Enriqueça. Tradução de Gabriel Zide Neto. Rio de Janeiro: BestSeller (Grupo Editorial Record), 2019.
  • PERRONE, Deborah. O Poder da Marca Pessoal Online. E-book Kindle, 2020.

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