Em meados de 2009, Fernando estava investindo numa ideia que maturava desde 2006, o Projeto Videolocadora. Fez várias visitas a comerciantes para entender o modelo do negócio, reuniu um pequeno grupo de amigos para fazer parceria na implantação do projeto, contratou serviços para acelerar o desenvolvimento do sistema. Primeira grande dificuldade: na cabeça do Fernando não cabia atender apenas ao desejo do comerciante de vender o seu serviço, sua prioridade sempre foi a satisfação do videolocador. O modelo do Videolocadora pressupunha reunir a cinemateca de todas as lojas que se associassem ao sistema, de forma que, se uma não pudesse atender ao pedido, o sistema se encarregasse de verificar qual a videolocadora mais próxima e disponível a atendê-lo. E dá-lhe resistência dos comerciantes, especialmente os menores.
Além disso e da logística da entrega, outras dificuldades: a variedade de softwares utilizados por cada comerciante exigiria um demorado processo de adaptação à comunicação com o sistema e o modelo atual de locação, em que a preferência do aluguel do título cabe ao cliente que se encontra na loja, inviabilizaria o pedido através do sistema, caso a capa do título já estivesse na mão do videolocador presente na loja.
Não fica por menos o problema da cobrança pelo serviço do sistema de integração do acervo. A ideia era pagar pelo site, mas no Brasil a cobrança por micropagamento deixaria muito cara a cobertura dos custos de manutenção do sistema, sem falar nas diferenças de preço cobrado por cada loja em relação a um mesmo título. Enfim, o grupo de amigos foi chegando à conclusão de que a ideia de um serviço geodistribuído cabe a diversos outros modelos de negócio. Aplicá-lo à locação de filmes seria algo muito complexo para pouco retorno.
E foi conversando sobre essa amplitude de aplicação que chegaram à ideia de aplicar o modelo ao negócio de táxi, que não sofreria todos os inconveninentes da locação de filmes. Primeiro, porque os preços são regidos por lei municipal. Segundo, porque, ao chamado de um possível passageiro, o taxista estará ou não apto a atender a corrida, ao contrário da situação da locação de um título que esteja na mão do videolocador presente na loja (lembra?). E o valor a pagar pela corrida sempre será medido pelo preço apontado no taxímetro, com exceção dos táxis especiais (cujo valor é fechado e anterior à corrida, no caso de aeroportos, por exemplo), o que facilita a forma de cobrança pelo uso do sistema informatizado, pois sempre será por corrida indicada.
A ideia foi amadurecendo ao longo deste ano, onde várias possibilidades foram avaliadas, como atender apenas passageiros corporativos e trabalhar exclusivamente com cooperativas, até, finalmente, chegar ao modelo escolhido: associar diretamente os taxistas, inicialmente os táxis comuns, por ser o tipo de serviço mais utilizado. Pronto: nasceu o Projeto TáxiSimples.
Nesse modelo, o taxista se associa ao serviço geodistribuído lançando mão apenas de um celular para receber e enviar SMS. Ao passageiro é necessário acesso à internet para solicitar o táxi e também dispor de um celular para os SMSs. Um modelo bem mais simples e barato que o Videolocadora.
No começo, foi pensado o uso de GPS para acesso do TáxiSimples a fim de escolher o taxista mais próximo da chamada do táxi, em tempo real, mas a instabilidade dos serviços de internet móvel (3G), principalmente em dias de chuva, quando os táxis são mais requisitados, os custos operacional, de investimento em equipamentos e de treinamento dos taxistas colocaram de lado essa opção nesse primeiro momento.
Ganhou a aplicação de um modelo simples e probabilístico, em que pesam o cadastro da informação das áreas em que os taxistas atendem e o seu histórico de respostas aos chamados. Dessa forma, quando o passageiro solicita o táxi, o sistema encaminha a solicitação aos taxistas daquela região que melhor atenderam as requisições anteriores, conforme tempo e percentual de resposta, por exemplo. Seguindo o processo, o taxista que responder primeiro à chamada ganha o direito de realizar a corrida. Sua resposta positiva fará o sistema encaminhar-lhe um SMS com as informações da corrida e ao passageiro as informações do taxista que irá atendê-lo.
Com todo o sistema na cabeça há muito tempo e com a simplicidade de operação acima referida, construí-lo foi simples e rápido. Em menos de 3 semanas, o www.taxisimples.com.br entrou em operação, com informações de 44 cidades, 1 taxista cadastrado no Rio de Janeiro e a negociação de cadastro em outras cidades, como Porto Alegre e São Paulo.
Temos muito trabalho pela frente. Estamos investindo no cadastro de novos taxistas para atender a maior quantidade de cidades possível e construir interfaces que possibilitem ao passageiro pedir sua corrida seja por seu desktop, celular (via SMS) ou smartphone.
Ana Paula Vitorino
Fernando Chucre