Software Factories: é realmente um processo industrial de produção?

Por Claudio Ulisse
17/03/2008 – 14:34

Assistimos à criação de modelos de codificação, processos de desenvolvimento, metodologias UML da vida…e outras coisas mais. Tudo isso tem ajudado bastante a reduzir os atrasos do desenvolvimento, e IDEs e ambientes integrados ajudaram também o desenvolvedor (o peão da fábrica) no trabalho cotidiano de programação.

Na maioria dos casos, os analistas e gerentes entregam ao peão (ops…desenvolvedor,desculpem) uns casos de uso, passos fundamentais para definir uma funcionalidade do sistema, e depois enviam uns papéis chamados regras de negócios, que ajudam a complicar ainda mais a tarefa. Daí chega o gerente e diz ao desenvolvedor/peão: “bicho,se vira aí”; para o que o desenvolvedor/peão apenas responde: “beleza, deixa comigo”.

A pretensão dos empresários é de que o processo de desenvolvimento ocorra em série, quero dizer, esperam que as soluções saiam todas do mesmo jeito, independentemente do programador que as propõe. Mas alguém aí já viu dois programadores criarem o mesmo código para uma mesma funcionalidade? Eu não. Sempre vi que cada um faz do próprio jeito. O gerente diz “crie um carro que ande e vá para a esquerda e para a direita”; o operário se vira e elabora a proposta que acha melhor. Isso não parece mais com um processo artesanal, se cada produto é único?

Esse conceito de fábrica de software me parece uma desculpa para dizer “você tem só que apertar parafusos, por isso vou te pagar pouco”. Produção de código é um processo criativo que exige esforço mental, pensamento lógico, análise cuidadosa caso a caso. Isso parece um processo industrial?

Claudio Ulisse

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